O perigo que muitos não veem: proteger nossas crianças começa dentro de casa

Quando o assunto é violência contra crianças e adolescentes, existe uma verdade difícil de
encarar: muitas vezes o perigo não está distante. Ele pode estar mais próximo do que
imaginamos.
Depois de mais de 35 anos atuando na defesa da infância, aprendi que combater esse tipo
de violência exige algo essencial: informação, vigilância e coragem para quebrar o silêncio.
Os dados mais recentes reforçam esse alerta. De acordo com o Anuário Brasileiro de
Segurança Pública 2024, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou mais
de 74 mil casos de estupro de vulnerável em 2023, sendo que cerca de 61% das
vítimas tinham até 13 anos de idade. A maioria desses crimes acontece dentro de
ambientes que deveriam ser seguros, muitas vezes cometidos por pessoas conhecidas da
vítima.
Esses números revelam algo preocupante: a violência contra crianças costuma crescer no
silêncio. Por isso, a prevenção começa dentro de casa, com atenção aos detalhes do
cotidiano.
Quero falar diretamente com você, pai, mãe ou responsável. Pequenas atitudes podem
reduzir riscos e fortalecer a proteção dos nossos filhos.
Alguns cuidados são fundamentais:
- Evite que crianças durmam fora de casa, mesmo na casa de amigos ou parentes;
- Ao levar seu filho à escola, acompanhe até que ele esteja dentro do local com segurança;
- Nunca deixe crianças sozinhas em banheiros públicos;
- O computador ou celular deve estar em um espaço comum da casa, permitindo
acompanhamento dos responsáveis; - Procure conhecer os amigos dos seus filhos e também as famílias deles;
- Ensine desde cedo que ninguém pode tocar em suas partes íntimas;
- Fique atento a sinais físicos ou comportamentais incomuns, como dores, irritações ou
mudanças repentinas de comportamento; - Observe o tipo de brincadeiras e a convivência com crianças mais velhas.
A violência sexual contra crianças e adolescentes se fortalece quando o medo e o silêncio
prevalecem. Quando pais, educadores, igrejas, comunidades e o poder público caminham
juntos, a rede de proteção se torna muito mais forte.
Proteger nossas crianças não é apenas um gesto de cuidado. É um compromisso com o
futuro.
E diante de qualquer suspeita, denunciar é um ato de responsabilidade.
Canais de denúncia:
Disque 100 – Direitos Humanos
181 – Disque Denúncia
197 – Polícia Civil
190 – Polícia Militar
191 – Polícia Rodoviária Federal
Em Curitiba, denúncias também podem ser feitas pelo telefone 156.
Esta é a primeira de uma série de reflexões sobre prevenção e proteção da infância. Nos
próximos artigos, vamos falar sobre sinais de alerta e como agir diante de situações
suspeitas.
Porque quando a sociedade decide quebrar o silêncio, muitas vidas podem ser protegidas.

Sou a sargento Tânia Guerreiro, estou no meu segundo mandato como vereadora na
cidade e combato a pedofilia há mais de 35 anos, com experiência no serviço de
inteligência da Polícia Militar do Paraná e trabalhos realizados junto à Interpol. Sou também
coautora da Lei do Alerta Amber em Curitiba, ferramenta essencial para dar agilidade às
buscas.



